Início » Setembro Amarelo: saúde mental também precisa de atenção na maturidade
30/09/2026
Campanha de prevenção ao suicídio reforça a importância de falar, ouvir e acolher. Entre as pessoas idosas, manter vínculos, participar da vida social e perceber mudanças de comportamento também fazem parte desse cuidado.
Cuidar da saúde ao longo da vida não significa apenas acompanhar a pressão arterial, fazer exames ou manter uma alimentação equilibrada. A saúde emocional também precisa de atenção — e, muitas vezes, o primeiro passo é poder falar sobre aquilo que se está sentindo.
É essa mensagem que ganha maior visibilidade durante o Setembro Amarelo. No calendário oficial da saúde, 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a mobilização durante todo o mês ajuda a colocar em discussão um tema que precisa ser tratado ao longo do ano.
No material preparado pela UAPIG para a campanha deste ano, a mensagem é direta: ninguém precisa enfrentar sozinho um momento difícil. Falar, ouvir, acolher e oferecer apoio podem fazer diferença.
Saúde mental não tem idade
A maturidade pode ser um período de novos projetos, maior liberdade e novas experiências. Ao mesmo tempo, o envelhecimento pode ser acompanhado por mudanças importantes na rotina e nas relações: aposentadoria, saída dos filhos de casa, perdas de pessoas próximas, problemas de saúde ou diminuição do convívio social.
Isso não significa que envelhecer seja sinônimo de sofrimento emocional.
Significa, porém, que a saúde mental também precisa fazer parte dos cuidados nessa fase da vida.
O Ministério da Saúde alerta que solidão e isolamento social podem afetar negativamente a saúde das pessoas idosas e lembra que depressão e transtornos de ansiedade podem ocorrer em qualquer idade.
É importante, portanto, não considerar automaticamente tristeza persistente, isolamento ou perda de interesse pelas atividades habituais como consequências naturais da idade.
Às vezes, cuidar começa por perceber
Nem sempre quem atravessa um período difícil consegue dizer claramente que precisa de ajuda.
Algumas mudanças merecem atenção, principalmente quando representam uma ruptura importante no comportamento habitual. O Ministério da Saúde recomenda que alterações rápidas de comportamento em pessoas idosas sejam avaliadas, inclusive porque podem estar relacionadas tanto à saúde emocional quanto a condições físicas, dores, infecções, desidratação ou reações a medicamentos.
Na prevenção ao suicídio, também é importante levar a sério manifestações de desesperança, falas relacionadas à morte ou ao desejo de desaparecer e um isolamento progressivo, especialmente quando a pessoa abandona atividades sociais de que antes gostava.
Diante desses sinais, a resposta não precisa começar com uma solução pronta.
Pode começar com disponibilidade para conversar. Ouvir sem julgamento. Permanecer próximo. E, quando necessário, ajudar a pessoa a procurar atendimento profissional.
Convivência também é cuidado
Saúde mental não depende somente daquilo que cada pessoa sente individualmente. Saúde física, apoio social, condições de vida e ambiente também influenciam o bem-estar.
Por isso, manter vínculos ganha importância especial com o passar dos anos.
Participar de atividades sociais, manter contato com pessoas queridas, praticar atividade física e continuar aprendendo são algumas das recomendações do Ministério da Saúde para o cuidado com a saúde mental das pessoas idosas.
Movimentar-se também pode ajudar. Além dos benefícios físicos, a atividade regular favorece vínculos sociais, contribui para prevenir o isolamento e pode beneficiar a saúde mental e o sono.
É nesse ponto que prevenção e convivência se encontram.
Ter compromissos, encontrar outras pessoas, conversar, aprender, dançar, viajar ou simplesmente sentir-se parte de um grupo não elimina os problemas da vida nem substitui atendimento profissional quando ele é necessário. Mas ajuda a construir vínculos e redes de apoio que fazem diferença no cotidiano.
UAPIG: espaços para participar e conviver
Ao promover atividades físicas, dança, encontros, oficinas, passeios, viagens e outras oportunidades de participação, a UAPIG cria espaços nos quais aposentados, pensionistas e pessoas idosas podem conviver, estabelecer vínculos e continuar participando ativamente da comunidade.
Essa atuação ganha um significado especial quando falamos de saúde mental.
Não se trata apenas de preencher o tempo. Trata-se de oferecer oportunidades para encontrar pessoas, compartilhar experiências, descobrir novos interesses e continuar pertencendo.
O Setembro Amarelo termina, mas a mensagem permanece: cuidar da saúde mental é também falar, escutar, acolher e perceber quem está ao nosso lado. E contribuir para uma maturidade com mais convivência, participação e qualidade de vida faz parte da missão da UAPIG.
Onde buscar ajuda
Quem estiver passando por sofrimento emocional pode procurar atendimento na rede pública de saúde. O SUS oferece cuidado em saúde mental por meio de serviços que incluem Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial.
O CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia, como também informa a campanha divulgada pela UAPIG.
Em situação de risco imediato ou emergência, deve-se procurar um serviço de urgência. O SAMU atende pelo telefone 192.