27 de setembro ou 1º de outubro? As datas que colocam a pessoa idosa em foco

30/09/2026

A passagem de setembro para outubro traz uma dúvida comum: afinal, quando é celebrado o Dia da Pessoa Idosa? A explicação está na história das duas datas — e abre espaço para uma reflexão muito maior sobre autonomia, participação e qualidade de vida na maturidade.

Nos últimos dias de setembro e na chegada de outubro, as pessoas idosas ganham atenção especial no calendário. E é comum encontrar duas datas diferentes relacionadas a essa celebração: 27 de setembro e 1º de outubro.

Não se trata apenas de uma confusão de calendário. Existe uma explicação histórica.

E, para a UAPIG, essa passagem de um mês para outro também oferece uma boa oportunidade para ampliar uma reflexão que não deveria ficar restrita a um único dia: o que significa envelhecer com saúde, autonomia, direitos, participação e qualidade de vida?

Por que aparecem duas datas?

Durante alguns anos, 27 de setembro foi adotado no Brasil como referência para o Dia do Idoso. Por isso, a data ainda permanece na memória de muitas pessoas e continua aparecendo em calendários, publicações e mensagens.

O calendário oficial brasileiro, porém, mudou.

Em dezembro de 2006, a Lei Federal nº 11.433 instituiu oficialmente o Dia Nacional do Idoso em 1º de outubro de cada ano.

A escolha também aproxima a comemoração brasileira do calendário internacional. Em 1990, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou 1º de outubro como Dia Internacional das Pessoas Idosas.

Atualmente, o próprio Ministério da Saúde apresenta a data como Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa.

Portanto, quem aprendeu ou ainda encontra referências a 27 de setembro não está diante de uma data surgida por acaso. Ela faz parte da história dessa comemoração no Brasil. Hoje, porém, a data oficialmente adotada é 1º de outubro.

A mensagem divulgada pela UAPIG no final de setembro, ao falar da valorização da pessoa idosa, acaba assim criando uma ponte bastante oportuna com a chegada de outubro. O material lembra que a maturidade não precisa representar o encerramento de uma história, mas pode significar a possibilidade de escrever novos capítulos, com experiência e liberdade.

E é justamente aí que a discussão sobre a pessoa idosa se torna muito maior que uma data comemorativa.

O Brasil está envelhecendo

Falar sobre envelhecimento deixou de ser uma questão voltada apenas para uma parcela pequena da sociedade.

O Brasil tem hoje cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, aproximadamente 17% da população. Segundo o Ministério da Saúde, esse contingente cresce, em média, cerca de 1,1 milhão de pessoas por ano.

Viver mais é uma conquista. É resultado, entre outros fatores, da melhoria das condições de vida, dos avanços da medicina, da prevenção de doenças e da ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Mas uma sociedade que vive mais também precisa aprender a envelhecer melhor.

Isso envolve acesso à saúde, segurança, direitos e proteção social, mas envolve também algo que nem sempre recebe a mesma atenção: preservar a possibilidade de cada pessoa continuar tomando decisões, fazendo escolhas, mantendo relações e participando da sociedade.

Ter uma doença não significa perder autonomia

Há uma mudança importante na maneira de compreender a saúde da pessoa idosa.

Durante muito tempo, envelhecimento e doença foram tratados quase como sinônimos. Hoje, a abordagem é diferente.

O Ministério da Saúde destaca que o estado de saúde na velhice não pode ser avaliado apenas pela presença ou ausência de doenças. Uma pessoa pode conviver com hipertensão, diabetes ou outra condição crônica e ainda preservar sua autonomia e independência.

Por isso, entram em cena conceitos como funcionalidade, autonomia e independência.

Autonomia é a capacidade de tomar decisões e gerir a própria vida. Independência está relacionada à possibilidade de executar as atividades cotidianas importantes para aquela pessoa. A funcionalidade considera essas capacidades em interação com o ambiente em que se vive.

Essa diferença parece técnica, mas tem um significado muito concreto.

Uma pessoa pode precisar de ajuda para determinadas tarefas e continuar perfeitamente capaz de decidir onde quer ir, com quem deseja conviver, como pretende utilizar seu tempo e quais projetos ainda quer realizar.

Precisar de algum cuidado não retira o direito de continuar sendo protagonista da própria vida.

Movimento, convivência e novos aprendizados

Preservar autonomia também passa pelos hábitos cotidianos.

A prática regular de atividade física ajuda a manter autonomia e independência durante o envelhecimento, melhora postura e equilíbrio e pode fortalecer vínculos sociais, reduzir o isolamento e beneficiar a saúde mental e o sono.

Mas permanecer ativo não significa apenas fazer exercício.

Encontrar outras pessoas, participar de atividades coletivas, aprender algo novo, viajar, dançar, conversar, cultivar amizades e descobrir novos interesses também ajudam a manter uma vida participativa.

Isso dialoga diretamente com o que discutimos na matéria sobre Setembro Amarelo: saúde física, saúde emocional, autonomia e convivência não vivem em compartimentos separados.

Uma influencia a outra.

UAPIG: envelhecer participando

Essa visão ajuda também a compreender o papel das atividades oferecidas pela UAPIG.

Ao promover aulas e atividades físicas, dança, encontros, bailes, oficinas, passeios, viagens, ações de saúde e oportunidades de convivência, a entidade não oferece apenas uma programação para preencher a agenda.

Oferece possibilidades de participação.

No próprio material de setembro, por exemplo, a UAPIG apresenta atividades de alongamento e condicionamento físico realizadas em parceria com o Instituto Bota Fogo. A proposta reúne cuidados com disposição, fortalecimento do corpo e equilíbrio com convivência e integração entre os participantes.

Em setembro, outra iniciativa caminhou na mesma direção por um caminho completamente diferente: a Oficina de Celular para pessoas com 60 anos ou mais trabalhou organização e proteção de arquivos digitais com o objetivo de proporcionar mais autonomia no uso da tecnologia.

São atividades distintas — exercício físico e inclusão digital —, mas ambas ajudam a mostrar como o conceito de envelhecimento ativo pode estar presente no cotidiano.

Uma reflexão que começa em setembro e continua em outubro

Talvez seja justamente essa a melhor maneira de olhar para as duas datas.

O 27 de setembro permanece como uma referência histórica conhecida por muitas pessoas. O 1º de outubro é hoje a data oficial brasileira e também o Dia Internacional das Pessoas Idosas.

Entre uma e outra, porém, existe algo mais importante do que acertar o calendário: existe uma oportunidade para falar sobre como queremos viver uma etapa da vida que está se tornando cada vez mais longa.

Envelhecer não apaga a história construída. Mas também não significa viver apenas dela.

Pode haver novos amigos. Novos lugares. Novos conhecimentos. Novos interesses. Novas rotinas. E, por que não, novos sonhos.

É também parte da missão da UAPIG contribuir para que aposentados, pensionistas e pessoas idosas encontrem oportunidades para cuidar da saúde, conviver, aprender, participar e continuar fazendo escolhas. Porque valorizar a pessoa idosa significa reconhecer tudo o que ela já viveu — sem deixar de enxergar tudo o que ainda pode viver.