Sono na maturidade: o que muda com a idade e quando é preciso atenção

30/10/2026

Dormir bem continua sendo essencial depois dos 60 anos. Conhecer as mudanças naturais do sono, identificar possíveis distúrbios e adotar hábitos saudáveis ajuda a preservar a disposição, a memória e a qualidade de vida.

Acordar durante a madrugada, sentir sono mais cedo ou perceber que as noites já não são como antigamente são situações comuns na maturidade. Mas será que dormir menos é uma consequência natural do envelhecimento?

A resposta é não necessariamente.

Com o passar dos anos, o organismo passa por transformações que também afetam o sono. Entretanto, isso não significa que a pessoa idosa precise se conformar com noites mal dormidas, cansaço constante ou dificuldade para descansar.

O sono é uma necessidade fundamental em todas as fases da vida. Cuidar de sua qualidade é tão importante quanto manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e realizar acompanhamento médico.

O que acontece com o sono depois dos 60 anos?

Segundo o Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos (National Institute on Aging), pessoas idosas geralmente precisam de sete a nove horas de sono por noite, quantidade semelhante à recomendada para outros adultos.

O que costuma mudar é a maneira de dormir.

Com o envelhecimento, o sono pode se tornar mais leve e fragmentado, com maior facilidade para despertar durante a noite. Também é comum sentir sono mais cedo e acordar nas primeiras horas da manhã.

Essas mudanças estão relacionadas, entre outros fatores, ao funcionamento do relógio biológico, responsável por regular os períodos de sono e vigília.

É importante, porém, distinguir uma mudança natural de um problema que merece investigação. Acordar ocasionalmente durante a madrugada não significa necessariamente ter insônia. Já passar várias noites sem conseguir descansar adequadamente, especialmente quando isso prejudica o dia seguinte, exige atenção.

Por que dormir bem faz tanta diferença?

Durante o sono, o organismo realiza processos importantes para a recuperação física e o funcionamento do cérebro.

Um boa noite de descanso contribui para:

  • Memória e concentração: favorece o aprendizado, a organização das informações e a capacidade de atenção.
  • Equilíbrio emocional: ajuda a regular o humor e a lidar melhor com as situações do cotidiano.
  • Saúde cardiovascular: o sono adequado participa da regulação de funções importantes do organismo.
  • Disposição física: contribui para manter a energia necessária às atividades diárias.
  • Segurança e autonomia: reduz dificuldades de atenção e sonolência que podem favorecer acidentes.

Quando as noites mal dormidas se tornam frequentes, podem surgir irritabilidade, esquecimentos, desânimo, dificuldade de concentração e cansaço durante o dia.

Nem toda dificuldade para dormir é insônia

A insônia é caracterizada pela dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou pelo despertar muito cedo sem conseguir voltar a dormir, acompanhados de prejuízos durante o dia.

Entretanto, outros fatores também podem interferir no descanso.

Dores crônicas, necessidade frequente de urinar à noite, ansiedade, determinados medicamentos e problemas respiratórios estão entre as possíveis causas de alterações do sono.

Uma condição que merece atenção é a apneia obstrutiva do sono, caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante a noite. Roncos intensos, pausas respiratórias observadas por outra pessoa, engasgos durante o sono e sonolência excessiva durante o dia podem indicar a necessidade de avaliação médica.

Também existem alterações como a síndrome das pernas inquietas, que provoca desconforto e necessidade de movimentar as pernas, principalmente nos momentos de repouso.

Identificar a causa é fundamental para escolher o tratamento adequado.

Hábitos simples podem melhorar a qualidade do sono

A chamada higiene do sono reúne atitudes que favorecem um descanso mais regular e reparador.

Entre as principais recomendações estão:

  • Manter horários regulares: procurar dormir e acordar aproximadamente nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana.
  • Aproveitar a luz natural: a exposição à claridade durante o dia ajuda a regular o relógio biológico.
  • Praticar atividades físicas: movimentar o corpo regularmente favorece a saúde e o sono, evitando exercícios intensos muito próximos da hora de dormir.
  • Cuidar do ambiente: manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura agradável.
  • Reduzir os estímulos noturnos: evitar televisão, celular e outras telas perto do horário de dormir.
  • Moderar o consumo de café: bebidas com cafeína podem dificultar o sono, especialmente no fim da tarde e à noite.
  • Evitar refeições pesadas e álcool à noite: ambos podem prejudicar a qualidade do descanso.
  • Ter atenção aos cochilos: descansos breves podem ser úteis, mas cochilos longos ou no fim do dia podem atrapalhar o sono noturno.

Criar uma rotina tranquila antes de dormir, com leitura leve, música suave ou outra atividade relaxante, também pode ajudar.

Cuidado com os medicamentos para dormir

Quando a dificuldade para dormir se prolonga, algumas pessoas recorrem a calmantes, medicamentos para dormir ou produtos anunciados como soluções naturais.

Essa prática exige cuidado especial na maturidade.

Determinados medicamentos podem provocar sonolência no dia seguinte, confusão, alterações de memória e maior risco de acidentes. Também podem apresentar interações com outros remédios utilizados regularmente.

Por isso, medicamentos e suplementos para dormir não devem ser iniciados por conta própria.

Nos casos de insônia persistente, o profissional de saúde poderá investigar as causas e indicar o tratamento mais adequado. A terapia cognitivo-comportamental para insônia, por exemplo, é uma abordagem recomendada para muitos casos de insônia crônica.

Quando procurar ajuda profissional?

Alguns sinais indicam que é importante conversar com um médico:

  • Dificuldade frequente para adormecer ou permanecer dormindo.
  • Cansaço ou sonolência excessiva durante o dia.
  • Roncos intensos acompanhados de pausas na respiração.
  • Mudanças importantes de humor, memória ou concentração.
  • Necessidade constante de utilizar medicamentos para conseguir dormir.

O acompanhamento pode começar pela equipe de atenção básica, que avaliará a necessidade de exames ou encaminhamento a especialistas.

Dormir bem para viver melhor

A maturidade pode ser uma fase de descobertas, convivência, aprendizado e participação em atividades que proporcionam satisfação e bem-estar.

Para aproveitar essas oportunidades, o descanso adequado tem papel importante.

Atividades físicas, encontros sociais, oficinas, passeios e momentos de lazer, como os promovidos pela UAPIG, ajudam a construir uma rotina ativa e equilibrada. Quando realizados em horários apropriados e respeitando as condições de cada pessoa, esses hábitos também podem favorecer noites mais tranquilas.

Dormir bem não é um luxo nem um privilégio da juventude. É uma necessidade de saúde em qualquer idade.

Prestar atenção aos sinais do corpo, cultivar bons hábitos e buscar orientação quando necessário são atitudes que ajudam a transformar as noites de descanso em dias com mais disposição, autonomia e qualidade de vida.

Fontes de referência

O conteúdo foi fundamentado em orientações do Ministério da Saúde e do National Institute on Aging (instituição norte-americana especializada em envelhecimento), além de material divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo