Audição na terceira idade: quando ouvir menos começa a afetar a qualidade de vida

30/10/2026

Dificuldades para acompanhar conversas, entender palavras ou ouvir sons do cotidiano podem ser sinais de perda auditiva. Identificar o problema e buscar acompanhamento especializado ajuda a preservar a autonomia e a convivência social.

A televisão precisa ficar cada vez mais alta? Em uma conversa de família, algumas palavras parecem desaparecer? É necessário pedir frequentemente que alguém repita o que acabou de dizer?

Situações como essas podem parecer pequenos incômodos, mas merecem atenção. A diminuição da capacidade auditiva é frequente com o avanço da idade e, quando não identificada, pode comprometer muito mais do que a percepção dos sons.

Ouvir bem facilita a comunicação, a participação nas atividades cotidianas e a manutenção dos vínculos com familiares e amigos.

Por que a audição muda com a idade?

A perda auditiva relacionada ao envelhecimento é conhecida como presbiacusia. Geralmente, desenvolve-se de maneira gradual, afetando os dois ouvidos e dificultando especialmente a percepção de sons mais agudos.

Uma característica importante é que a pessoa pode continuar ouvindo alguém falar, mas ter dificuldade para compreender determinadas palavras, principalmente quando há outras conversas ou ruídos no ambiente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um quarto das pessoas acima de 60 anos apresenta perda auditiva incapacitante. Isso demonstra a importância de incluir a audição entre os cuidados regulares com a saúde.

Entretanto, nem toda dificuldade para ouvir decorre do envelhecimento. Acúmulo de cera, infecções, exposição prolongada a ruídos e outras condições também podem prejudicar a audição, algumas delas com possibilidades específicas de tratamento.

Os sinais que merecem atenção

A perda auditiva nem sempre é percebida imediatamente. Muitas vezes, familiares e amigos identificam as mudanças antes da própria pessoa.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Necessidade frequente de pedir que as pessoas repitam o que disseram.
  • Dificuldade para acompanhar conversas em grupos ou ambientes movimentados.
  • Aumento excessivo do volume da televisão ou do rádio.
  • Dificuldade para compreender conversas telefônicas.
  • Sensação de que as pessoas falam baixo ou de maneira pouco clara.
  • Presença de zumbidos nos ouvidos.

Quando essas situações se tornam frequentes, é recomendável procurar avaliação profissional.

Quando ouvir menos também significa participar menos

Uma consequência importante da perda auditiva é seu impacto sobre a convivência.

Imagine estar em uma reunião de amigos e não conseguir acompanhar boa parte da conversa. Com o tempo, a dificuldade pode gerar constrangimento, cansaço e desinteresse em participar de encontros.

A pessoa pode começar a evitar reuniões familiares, atividades coletivas e situações nas quais precise conversar com várias pessoas.

A OMS alerta que a perda auditiva não tratada está associada ao isolamento social, à solidão e a dificuldades cognitivas. Isso não significa que toda pessoa com perda auditiva desenvolverá esses problemas, mas reforça a importância do diagnóstico e do cuidado adequado.

Exames e tratamentos podem fazer diferença

O primeiro passo é buscar avaliação médica, preferencialmente com um otorrinolaringologista. Conforme a necessidade, exames como a audiometria ajudam a identificar o tipo e o grau da perda auditiva.

O tratamento depende da causa. Algumas alterações podem ser resolvidas com intervenções específicas. Nos casos de perda auditiva permanente, aparelhos auditivos e recursos de reabilitação podem melhorar a comunicação e a participação nas atividades diárias.

O Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece avaliação, reabilitação auditiva e fornecimento de aparelhos, conforme os critérios e encaminhamentos dos serviços habilitados.

É importante lembrar que utilizar aparelho auditivo, quando indicado, não representa perda de independência. Pelo contrário: pode ser um recurso para recuperá-la.

Pequenos cuidados que facilitam a comunicação

Além do acompanhamento profissional, algumas atitudes ajudam a tornar as conversas mais confortáveis:

  • Falar de frente para a pessoa, mantendo o rosto visível.
  • Evitar conversar com a televisão ou o rádio em volume elevado.
  • Pronunciar as palavras com clareza, sem necessidade de gritar.
  • Procurar ambientes menos barulhentos para conversas importantes.
  • Ter paciência e repetir a informação de outra maneira quando necessário.

Esses cuidados beneficiam tanto quem apresenta dificuldade auditiva quanto familiares, amigos e pessoas que convivem diariamente com ela.

Ouvir bem também é continuar participando

A qualidade de vida na maturidade está diretamente relacionada à possibilidade de manter escolhas, interesses e relações sociais.

Conversar, ouvir música, participar de atividades culturais, frequentar encontros e compartilhar experiências são formas de permanecer ativo e integrado à comunidade.

As atividades de convivência promovidas pela UAPIG, como bailes, oficinas, passeios e encontros, representam oportunidades para fortalecer esses vínculos.

Cuidar da audição contribui para que essas experiências continuem fazendo parte da vida.

A mensagem principal é simples: perceber mudanças na audição e procurar orientação profissional pode fazer uma grande diferença. Afinal, ouvir melhor também significa comunicar-se melhor, preservar relações e aproveitar com mais autonomia os momentos da vida.